Cuiabá: comentários da mestranda Carolina Dias de Oliveira

“As relações artesanais e o estímulo ao Desenvolvimento Local no Brasil, em Gouveia-MG e outras diferentes escalas” é o título de Tese de Carolina Dias de Oliveira, defendida em 2007, no Instituto de Geociências da UFMG, para obtenção do Mestrado em Geografia.
Em Gouveia, Carolina trabalhou com as comunidade de Cuiabá e do Espinho.
Neste "site" a busca é por informações sobre as comunidades rurais do municipio de Gouveia, a história, os hábitos e costumes, a economia e mais o que for possivel encontrar. O trabalho de Carolina tem outro foco: O Desenvolvimento Local e as relações entre globalização, padronização e descaracterização do fazer artesanal. Portanto, uma linha de informações completamente diferente. Assim, seus comentários sobre Cuiabá são transcritos, logo abaixo; mas construiu-se tambem, páginas extras para o internauta interessado no tema.
Cuiabá é a comunidade de menor distância da sede municipal, localizando-se a aproximadamente seis quilômetros desta. O acesso é feito por estrada de terra, atualmente em bom estado de conservação, sendo que a pior parte se encontra em uma forte subida, mas que foi, recentemente, calçada, obra realizada através de verba da prefeitura. Esta comunidade apresenta apenas uma rua principal, cascalhada na parte central e rodeada por grama, onde se localiza a maior parte das casas. Algumas delas, inclusive, são centenárias. As casas apresentam estilo colonial, e as construções são de pequeno porte com razoável aspecto de conservação. Neste local, há uma capela em que, segundo relatos dos moradores locais, foi encontrado um adobe (tijolo cru feito ao sol) do início do século XVIII, visto que nele estava registrada a data de sua fabricação. Este objeto foi encontrado em função da reforma dessa capela, localizada quase em frente à Praça de Cuiabá, caracterizada apenas por uma árvore de grande porte e um canteiro ao redor. Também defronte à capela, encontra-se o principal ponto de lazer da comunidade, o bar do morador mais antigo da cidade e considerado o patriarca da família Dória. Neste bar, a principal atração é uma mesa de bilhar; contudo, podem ser encontrados, também, alguns itens de mercearia
Há uma escola municipal que atende à demanda local, voltada para alunos de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental Básico, que funciona, também, como local de reuniões e/ou eventos específicos da comunidade. Todavia, destaca-se que a continuidade da formação escolar é realizada em uma escola situada na sede do município, com transporte gratuito garantido pela Prefeitura de Gouveia. A escola a que Carolina se refere é denominada E.M. Francisco Doria, foi citada em artigo, publicado em o No. 4 de O Boletim da AFAGO, como a escola municipal que mostrou condições de competir com as escolas estaduais.

O ensino em Cuiabá tem história


Encontra-se no Arquivo Público Mineiro, os documentos que atestam a história do ensino em Cuiabá:
È possivel que a primeira tenha sido desativada, possivelmente, por falta de frequencia, para justificar a criação da segunda escola. é muito provavel que a escola criada em 1893, tenha sido a segunda escola rural no distrito de Gouveia. Sabe-se, apenas de uma anterior a ela: A Lei 2390 de 13/10/1877 Crea escola do sexo masculino em São Sebastião do Tigre. E em Beribéri, município de Diamantina.

O clã dos Doria

Continuando a descrição de Carolina: As pessoas da comunidade se caracterizam por um forte vínculo de parentesco entre seus membros, muitos sendo parentes de primeiro e segundo graus. Segundo relato dos moradores locais, a principal família da comunidade possui descendência italiana, já que a maioria possui pele e olhos claros e estatura mediana. Ainda de acordo com os moradores, uma de suas características é que, mesmo em outras partes do mundo, as famílias que possuem o mesmo sobrenome deles moram juntas e em pequenas comunidades. Fato este que, segundo eles, foi constatado por um alemão que freqüentemente visita a região do Vale do Jequitinhonha. Este alemão registrou, em fotografias tiradas na Espanha e na própria Itália, a existência de outras famílias com o sobrenome Dória, nas quais se destacava a união e a simplicidade que os caracteriza. Tais registros foram repassados para a comunidade pertencente a Gouveia.

Evento Cultural

Festa de N.S. da Conceição, celebrada em outubro. São dez dias de celebração incluindo a novena. No nono dia levantamento do mastro com cortejo da bandeira e queima de fogos. No décimo dia acontece a festa com alvorada festiva e celebração da missa, procissão e coroação. Além dos festejos religiosos há também os de caráter cultural e social: bingo, corrida de leilão, oficina de contadores de historias, mostra de fotos, quebra de pote.
Não há registros sobre quem iniciou a celebração; fala-se em 200 anos que a comunidade conserva a tradição.

Os jovens imigram, mas as ligações familiares permanecem

Ao todo, a comunidade possui 27 famílias, e ressalta-se que a população encontra-se em estágio de envelhecimento, uma vez que a maioria dos jovens desta comunidade está se deslocando para os grandes centros urbanos, principalmente Belo Horizonte. Nos relatos e entrevistas, muitos indicavam a existência de parentes instalados na capital mineira e que já se encontram estabilizados do ponto de vista empregatício. Grande parte desses jovens não deseja retornar. Dessa forma, em Cuiabá, anualmente, acontecem diversas festas locais, sendo a principal a do Cuiabano ausente, realizada no mês de outubro. Durante o período de férias, a comunidade também apresenta um significativo fluxo de parentes e ex-moradores.

Curiosidades

Aspecto interessante é que Cuiabá freqüentemente recebe a visita de turistas estrangeiros, principalmente alemães, sendo que alguns chegam a se hospedar nas residências cuiabanas por algum tempo.

A economia

A economia local é marcada por uma agricultura familiar, primordialmente para o auto-consumo, sendo que seus excedentes são comercializados na Feira Livre do Produtor, situada na sede do município. Os principais produtos dessa comunidade são as hortaliças, o alho, o doce em conserva e os temperos, adquiridos após a realização do A comunidade de Cuiaba produz tambem artesanado em flores secas.
Este, tendo como referência o trabalho da entrevistada 2 , filha do patriarca da comunidade e que possui uma pequena loja para exposição e venda de seus produtos em um bairro da região nordeste de Belo Horizonte. Em relação aos aspectos políticos, notou-se que a Associação Comunitária de Cuiabá encontra-se, atualmente, paralisada, por não conseguir encontrar alguém que os represente de forma consensual. Dessa forma, alguns moradores mantêm uma postura mais reivindicativa ante as decisões políticas da prefeitura, e por este motivo, muitas vezes, as instituições públicas deixam de conceder-lhes determinados benefícios, pois os rotulam como ‘encrenqueiros’.

Os Núcleos Comuitários

Em obediencia à topologia que se tem usado, vale lembrar que Cuiabá é um Centro de Irradiação com cinco Núcleos Comunitários: Já se dispõe de alguma informação sobre o Núcleo Barão de Guaicui, obtido pela equipe, contratada pela Prefeitura de Gouveia, para promover o levantamento do acervo cultural do municipio. Resultado de levantamento já realizado:
O século XX traria para Gouveia enormes mudanças. Uma das principais foi a incorporação do município na malha ferroviária brasileira na década de 1910, quando foi inaugurada a Estação Ferroviária Baraúna, no Povoado de Barão do Guaicuhy, ramal Curralinho Diamantina. A estação teve seu nome substituído por duas vezes, a primeira para Gouveia e, posteriormente, Estação Barão do Guaicuhy.
A instalação dessa linha teria incutido novo ânimo ao comércio e circulação de pessoas na região. Em pouco tempo, o povoado de Barão do Guaicuhy cresce sensivelmente, contando, inclusive com variadas casa de negócios. No auge do desenvolvimento do povoado, a estação passou, inclusive, por reformas que alteraram suas características originais. Esta edificação ainda existe no local e foi alvo de tombamento do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Gouveia. Com o progressivo abandono da utilização das estradas de ferro como meios de transporte no país, esse crescimento não só cessou como inverteu sua tendência, havendo um progressivo abandono dos habitantes do povoado, que hoje conta com poucas casas ocupadas Na entrada do povoado, em um ponto elevado da topografia, está implantada a Capela de São Sebastião, de características arquitetônicas alteradas.
Entretanto, em seu interior observa-se que o altar mor foi mantido sem sofrer intervenções. São importantes também as imaginárias, que hoje encontram se guardadas na sacristia em função de uma infiltração que pode vir a comprometer a integridade dos bens integrados. Apesar do orago da igreja, o povoado tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição, cuja celebração acontece anualmente. Em relação a sítios naturais, há nas proximidades do povoado a Cachoeira do Barão, que atrai diversos turistas.
Antes de trminar a página, duas informações: