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Fotografias

Créditos por esta foto é atribuido a Afrânio Gomes que postou uma cópia na página de mensgens deste sitio.
    Foto recortada do banner da programação do jubileu do peixe no ano de 2010
Esta e as fotos aéreas seguintes, foram encaminhadas pelo professor José Moreira de Souza, informando, tambem, que os créditos são de Ismar Antunes de Oliveira e foram feitas em maio de 2005. O Rio Parauna não tem mais o aspecto barrento causado pela mineração a montante. Neste caso os créditos são para os órgaos de meio ambiente, salientando as ONGs Caminhos da Serra, SARP-Sociedade Amigos do Rio Paraúna e também o Subcomitê da Bacia do Rio Paraúna.

O Texto

O texto, sob o título: Cemitério do Peixe foi produzido por José Emílio Ferreira Soares.
José Emílio é do Círculo Monarquíco de Curvelo e publica seus artigos no site http://Curvelo.zip.net o artigo a seguir ele fez a pedido do Padre Mauro Carvalhaes.

Cemitério do Peixe

Bem aos pés da serra do Camilinho fica o Cemitério do Peixe, município de Conceição do Mato Dentro. Como capela, é assistida pela paróquia Santo Antônio de Gouveia - Arquidiocese de Diamantina. Ele está geograficamente situado ao norte do seu município, próximo às margens do rio Paraúna. A sua história confunde-se com a história de seu povo, sedento de profunda religiosidade, herdada dos seus antepassados. O local sobre o qual se assenta aquele “arraial - fantasma”, desabitado quase o ano inteiro, se transforma de repente em um movimento religioso, ao receber piedosas romarias, vindas de lugares distantes, para cumprir promessas aos pés do seu padroeiro São Miguel e Almas. O 15 de agosto é o ponto alto da festa.
As casas de chão batido, branquinhas na sua simplicidade, contornam o pequeno cemitério, que tem à sua frente a capela de São Miguel Arcanjo. Essas casinhas irradiam por toda a região um profundo sentimento místico, servem de abrigo para a festa no povoado e pertencem aos pequenos proprietários da região.
Por que Cemitério do Peixe? Alguém poderá indagar! Conta a tradição oral que, em longas datas, para lá se dirigiu um destacamento policial, vindo de Conceição do Mato Dentro. Ficou sediado naquele ponto de passagem, hoje conhecido como Quartel do Peixe, para fiscalizar as mercadorias transportadas no lombo das tropas, vindas de distantes lugares com destino ao sertão. Era o único caminho que ligava a região daquelas bandas à capital mineira. Aconteceu que dois soldados, alimentando-se com peixes estragados, vieram a falecer. Os corpos desses soldados foram sepultados no campo santo, que mais tarde passou a denominar-se “Cemitério do Peixe”.
O Sr. Antônio Francisco Pinto, o famoso Caniquinho, era um próspero fazendeiro da região, proprietário da fazenda do Vassalo. Respeitado na região por sua inteligência e sagacidade nos negócios, conhecido até mesmo no Rio de Janeiro, aonde ia com freqüência, desempenhou um papel de liderança entre aquela gente. Logo mandou cercar a área onde eles foram sepultados e providenciou a celebração de uma missa, anualmente, por alma dos soldados. Reavivando a tradição religiosa que se consolidaria através dos tempos, a celebração vem de longa data, segundo alguns, início do ano de 1890, e era realizada ao ar livre, com muito respeito e piedade, no segundo domingo do mês de agosto, sempre começando uma semana antes. O padre Ernesto, então pároco de Congonhas do Norte, foi quem iniciou a celebração dessa missa. Caniquinho era profundamente religioso e preocupado com os menos favorecidos, e em 1915 pediu licença ao Arcebispo de Diamantina para promover melhor assistência religiosa àquele sofrido povo. Ele convidou os padres missionários redentoristas de Curvelo para pregar missão no Peixe e eles seguiram de trem para este trabalho, com muito sacrifício, propagando com seu carisma, a Copiosa Redenção. Com sua dedicação, Caniquinho mandou construir a capelinha em honra de São Miguel, a casa para hospedar os padres, hospedagem para as cantoras do coro, para a polícia, para o barbeiro e outras instalações necessárias. O Padre Thiago Boomaars, Mestre de Missões e seus confrades, desembarcaram na Estação do Barão de Guaicuí, onde pernoitaram. No dia seguinte, montaram a cavalo e foram apear na fazenda do Sr. João Baiano, onde descansaram, e ao amanhecer, arrearam a montaria chegando ao Peixe. Recebidos com festa e generosa hospitalidade, aqueles missionários-heróis lançaram no coração daquela gente a mensagem de Santo Afonso Maria de Liguori. O povo simples e humilde da região, os trabalhadores das fazendas, os pequenos proprietários e até os grandes fazendeiros gostaram tanto das missões, que Caniquinho se viu na obrigação de programar novas missões para o ano seguinte, e elas passaram a acontecer todos os anos. Ele era um homem coerente com seus princípios religiosos, dotado de fé inabalável e, de fato, foi o fundador do Jubileu do Peixe, constituindo, naquela região, um centro de promessas e oração. Caniquinho documentou, junto ao Arcebispo de Diamantina, uma grande doação para as almas, de terras vizinhas ao cemitério, cuja demarcação pegava desde o alto da porteira até a barra do rio Paraúna. A nascente do córrego que forneceria água para os romeiros e o chamado “pasto das almas”, porque nele poderiam ficar os animais durante o jubileu, pagando um aluguel que era destinado à manutenção do cemitério, também passaram a incorporar a escritura de doação. Este documento se encontra arquivado na Cúria da Arquidiocese de Diamantina. Enfim, tornou-se sólida tradição por aquelas bandas, os sepultamentos passarem a ser feitos no Cemitério do Peixe, suscitando uma grande devoção a São Miguel e às almas daqueles cujos corpos lá se encontram.. Desta maneira, as famílias tinham, ali bem perto, sepultados seus entes queridos. Por serem parentes e, sobretudo, antepassados, criou-se tal devoção e confiança nas almas do Cemitério do Peixe, que era comum, em qualquer dificuldade, as pessoas exclamarem: “Almas do Cemitério do Peixe, valei-me”. E não raro, a ajuda vinha mesmo. Poderia acontecer o que acontecesse, no dia da festa, a presença obrigatória de determinadas pessoas era evidente. Enfrentavam toda espécie de dificuldades para comparecer ao Jubileu do Peixe. Entre eles, Juca Rodrigues, Luiz da Serra, Levindo Pinto, Antonico Dumont, João Baiano, Cupertino Ribas, Jorge Rodrigues, Gustavo Alves, os Vieira, o próprio Caniquinho e muitos outros não faltavam nesta época. Além de cumprirem promessa, também era uma boa oportunidade para encontrar com amigos e parentes. Também não poderiam faltar, como em toda romaria, os comerciantes de gado, de animais e de arreios, fotógrafos e outros que chegavam em busca de algum negócio lucrativo. O povo passou a marcar os casamentos, batizados e primeira comunhão para a data da festa, devido à falta de padres durante o ano e à dificuldade de ir à cidade. Muitos namoros e casamentos começaram nesta festa, que ficou conhecida como Festa do Cemitério do Peixe ou, simplesmente, Festa do Peixe. Caniquinho, fundador do Jubileu do Peixe, morreu em 1941, porém deixou uma devoção que cresce ao correr do tempo, continuando em sua homenagem e em homenagem às almas de todos os antepassados, amigos e parentes ali enterrados, sob a proteção de São Miguel.. Até hoje os redentoristas continuam animando, com a mensagem de Santo Afonso, o Jubileu do Peixe, mostrando àquele povo simples e sofredor, os legítimos caminhos do Cristo Redentor. Empenhado, com todo o entusiasmo que lhe é peculiar, o padre Mauro Carvalhais de Oliveira abraça esta nobre causa missionária, celebrando, todo ano, o Santo Jubileu, dentro de um espírito de fé e renovação de vida. Assim, o Cemitério do Peixe se transforma, a cada ano, num local de oração e penitência, aos pés de São Miguel Arcanjo.

PROGRAMAÇÃO DO JUBILEU DE 2010?..clique aqui..