Gonzaga:
um escultor de mérito

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Raimundo Nonato de Miranda Chaves


Minas são muitas, quem afirma é Guimarães Rosa; Gerais, significa,também: amplitude, largueza, lonjura a se perder de vistas. Então minas gerais são muitas larguezas continuas e continuadas, formando este mundão de Deus, repleto de cidades espalhadas pelos montes e vales. São centenas de cidades, mais de oito centenas formando o Estado das Minas Gerais. São cidades grandes, pelo menos uma, muito grande: cheia de gente e de contradições; outras, são pequenas e até miúdas – Serra da Saudade tem apenas 807 moradores –; Algumas, parece, têm o nome maior do que a cidade: São Sebastião da Vargem Alegre ou Santa Bárbara do Monte Verde. De modo geral, têm nomes bonitos originários de línguas ou dialetos nativos: Aiuruoca, Aracitaba, Camanducaia, Cuparaque, Durandé, Ipuiuna, Jampruca, Taparuba e Tupaciguara. Há cidades dormitórios, cidades históricas e até cidades fantasmas.
De muitas destas cidades, pequenas e, aparentemente, insignificantes têm surgido pessoas que se sobressaem em uma ou outra atividade e ocupam posição de destaque a nível do estado e do pais. Salientam-se nas artes, no esporte, na política ou na administração. Na opinião de Andréa Chaves são pontos fora da curva de freqüência da atividade. Estou me referindo a pessoas como: Ataulfo Alves, de Mirai; Vando, de Cajurí; Paula Fernandes, de Congonhas do Norte – ela se diz de Sete Lagoas –; Pelé, de Três Corações; José Maria Alkimin, de Bocaiúva; Cardeal Serafim Fernandes, de Minas Novas e Gonzaga de Ávila Silva, de Gouveia.
-- Opa! Quem é Gonzaga??
Agora, você vai saber: Ganzaga é escultor, entalhador e restaurador da melhor qualidade. Escultor de Mérito, julgamento do professor Moreira; candidato ao Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura – MINC.
Gonzaga foi apresentado ao MINC pela Afago, por obra e graça do ilustre professor José Moreira de Souza que, com empenho e competência, realizou diversas viagens a Gouveia onde entrevistou o artífice, recolheu material e elaborou o pacote para ser encaminhado ao MINC. O pacote com cópias de documentos pessoais, formulários preenchidos e mais dois DVDs; um deles, com cerca de 4,2 gigabytes de entrevistas e outro com fotos, apresentação em power point e mais entrevistas. Citado pacote foi endereçado ao MINC por correio tradicional e a Afago fez a apresentação do candidato ao Prêmio por correio eletrônico. Apresentação em power point, preparada pelo professor Moreira, encaminhada ao MINC, e, agora, disponibilizada para o internauta, contem textos que me permito transcrever porque são esclarecedores:
  1. A propósito de Gonzaga ser escolhido pela Associação dos Filhos e Amigos de Gouveia para representar este município no Prêmio Culturas Populares 2012/2013 tem a ver com a profunda vinculação de nossa associação – AFAGO – com a Comissão Mineira de Folclore. Com efeito a Comissão Mineira vivia um momento de quase extinção quando a Diretoria da AFAGO se dispôs a oferecer sua sede em Belo Horizonte para acolher a Comissão, dar-lhe assessoria jurídica e contábil, tudo isto sem qualquer custo. Uma das dificuldades resultava da extinção pelo Governo do Estado de Minas do Centro de Tradições Mineiras, tendo em vista a criação da Cidade Administrativa. A convivência estreita entre estas duas instituições motivou a escolha.
  2. A escolha de Gonzaga leva em consideração alguns pontos fundamentais. Mostra-se a interface do saber popular com a questão da restauração de obras históricas e da permanência da cultura mineira em seu momento de esplendor, o século XVIII, o dos “Resíduos Seiscentistas” como o designou Affonso Ávila em obra consagrada . Gonzaga diz inspirar-se no Alejadinho. Porém, há que insistir que ele respira os ares do antigo Distrito Diamantino. Nasceu em “São Francisco do Parauna” – atual Costa Sena, distrito de Conceição do Mato Dentro. Costa Sena tem uma igreja tombada, com importantes obras do período “Barroco”. A decadência de Costa Sena fez com que os principais artífices migrassem para Gouveia – arraial contemporâneo de Paraúna – e descem força à musica e às artes nessa localidade. Vale lembrar que os restos mortais de Bernardo Fonseca Lobo, o descobridor oficial dos diamantes , repousam na matriz de Santo Antonio de Gouveia; e também que a Capelinha das Dores construída na década de 1860 em Gouveia abriga o altar que pertenceu à Capela de Chica da Silva conforme registra Júnia Furtado em sua obra “Chica da Silva”. É nesse contexto que Gonzaga assume a figura de quase “sobrevivência” de um distante – atualizado Século XVIII. Restaurador popular e Criador. Sua presença é quase uma denuncia às políticas culturais de conservação do Patrimônio Histórico e Artístico. Vale frisar como esse artista é descoberto e apoiado pelo clero da Arquidiocese de Diamantina, para criar e restaurar obras na periferia dos monumentos não tombados.
  3. Não vivo das obras que crio. Não tem jeito. Trabalho como empregado da Prefeitura de Gouveia no setor de obras, comecei varrendo rua, depois fui encarregado dos serviços de água, hoje estou no setor de obras. Aqui não tem jeito de viver só de arte.Tenho pouco tempo para desenvolver as obras. É só depois que chego do trabalho na Prefeitura. Preciso trabalhar para garantir o sustento familiar, mas ainda assim tenho dentro da minha comunidade e região apoio, reconhecimento e divulgação. Enfrento os problemas com muita persistência, foco, objetivo e vontade de vencer, pois amo a arte, que tem me acompanhado desde 1983. Tem trinta anos.
Apresentações de slides:

Observação:

Temos, em DVD, entrevistas com Gonzaga, gravadas pelo Professor Moreira. Entre em contato conosco através do e-mail: afago.gouveia@hotmail.com