Lançamento de Camilinho: escola de vida

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Artigo publicado no Boletim Informativo da Afago, nº3/2017

Assim, aconteceu!

Raimundo Nonato de Miranda Chaves

Na sessão do dia 23 de março de 2017, a Assembleia Geral da Afago deliberou extinguir a AFAGO como entidade burocrática. Isto significa que os poucos membros restantes da AFAGO como entidade registrada em Cartório com CNPJ e outras obrigações não têm mais compromisso para manutenção dessa entidade. José Moreira de Souza – Boletim Informativo da Afago Nº 2/2017.
A Afago acabou. Né!?
Naaaão!
A Afago rejuvenesceu. As coisas simplificaram. Não temos mais carteirinha de identidade. Pra que, se nós temos a própria Afago? O Prêmio Afago de Literatura continua, cada vez mais abrangente e despertando mais interesse – o casal Adélia/José Moreira assumiu o compromisso de mantê-lo. O Boletim Informativo da Afago continua, esta edição é a prova viva – Moreira, simplesmente prossegue o que vem realizando desde que ele mesmo criou o boletim. O site www.afagouveia.org.br continua – minha responsabilidade.
Então, o que mudou?
Ficamos livres das amarras: CNPJ, estatuto, regimento, sede, diretoria, registros burocráticos e outras. A Afago, agora, Nova Afago com blog, no facebook, criado por Moreira. Devíamos comunicar, em Gouveia, as modificações a que fora submetida. Além disso, Moreira havia sido convidado para compor o Conselho Municipal de Cultura, eu, de minha parte, gostaria de fazer o lançamento, ali, do meu livro. Também, importante, discutir a programação do Prêmio Afago de Literatura, que, nos anos anteriores, fora realizado no meio do ano. Qualquer um destes motivos era suficiente, por si só, para justificar a viagem à Gouveia.
Combinamos.
Sexta feira, oito horas, o casal Moreira de Souza vindo de Belo Horizonte; eu, de Camilinho. Sem programação prévia, fomos recebidos pelo senhor prefeito municipal: Antônio Vicente de Souza que se fez acompanhar da professora Rosilene – vice-prefeito do município. Conversa agradável, interesse de colaboração de ambas as partes. Uma vez cumprida parte da tarefa, andamos, tranquilamente, até as novas instalações da Secretaria Municipal de Educação, início da Av. JK. Ali, era só arrumação, sala muito grande, espalhados pelo ambiente: mesas, cadeiras, estantes, livros e outros moveis e objetos. Mudanças de local, de coisas e de gentes. A nova administração que se instalava. Logo que entramos no ambiente, surgiu a professora Dione, dinâmica e atenciosa nos deu as boas-vindas. Professoras que colaboraram com a Escola João Baiano: Eunice e Elizangela estavam ali, tentando colocar ordem na casa. Enquanto o mundo girava, nós nos sentamos por ali, aplaudimos o esforço geral do pessoal e conversamos. Nesta reunião decidiu-se que o Prêmio Afago de Literatura seria realizado no mês de outubro – primeira semana – continuando como um evento da Semana Literária. Dali, continuamos, com a tranquilidade que o ambiente nos impôe, caminhando pela avenida, cumprimentando os conhecidos aqui e ali, até o cruzamento com a av. Alexandre Mascarenhas. É isso mesmo! A descida para São Roberto. No segundo piso do prédio dos correios fomos recebidos pela professora Sueli Ferreira – Secretária Municipal de Cultura. Cumprimentos de praxe, votos de administração profícuo e acerto da participação de Moreira como membro do Conselho Municipal de Cultura. De Sueli, conhecemos, e aplaudimos, o interesse dela de reerguer a Capela de Santo Antônio, no Arraial Velho.
A manhã ainda no meio e nós já havíamos cumprido quase toda nossa programação. Impressionava-me termos sido recebidos por membros da alta administração da cidade, em três unidades diferentes, sem agendamento prévio, sem protocolo e de forma agradável e participativa.
Continuamos nosso quase passeio pela Av. JK, espiando a reforma da Matriz de Santo Antônio e fomos nos deter, lá no alto, na “Joviano de Aguiar”. O diretor Douglas, viajando. Visitamos a professora Leila Karla – associada da Afago – que, ali, coordenava estudantes da Escola Zulma Miranda. A “Zulma Miranda” pressionada, por espaço, com alunos que deveriam se matricular na “Aurélio Pires” ou na “Mata Machado”. Mas, a norma vigente determina que ensino fundamental I é, agora, responsabilidade da administração municipal.
Revendo a programação inicial, faltava apenas a questão de lançamento, em Gouveia, do livro Camilinho: escola de vida. Nosso plano incluía conversa - troca de ideias – com a professora Lourdes Dumont – pela experiência, pela competência e pelo conhecimento da cidade: dos locais de encontro, das gentes e das formas. Lourdinha Dumont, como a conhecemos, reside nas proximidades de onde estávamos. Ela é que não foi encontrada em casa. Estava em BH. À tarde, desse mesmo dia viajei para Belo Horizonte e lá me entendi com Lourdinha. Ela concordou com o local sugerido para a apresentação do livro: Escola Estadual Aurélio Pires e, mais do que isso, se comprometeu a conversar com a diretora – professora Lourdes Hipólito – tão logo voltasse à Gouveia. Promessa concretizada, com eficiência. Tudo acertado para o dia seis de maio, 16:00 horas.
Agora é comigo, pensei.
Pensei e agi.
Moreira ao prefaciar meu livro escreveu: O livro é um exemplo para Gouveia, naturalmente, se referindo ao fato de Gouveia não dar a devida importância à sua história. Apanhei a deixa, troquei “exemplo” por “provocação” e fui em frente: O lançamento do livro Camilinho: escola de vida seria transformado em ato de provocação à Gouveia. Seria uma forma de chamar Gouveia aos brios. Gouveia sobre ser considerada culta, não valoriza, não respeita sua história. E, pretendia que Gouveia, em sentindo-se provocada, reagiria mudando seu comportamento. A mudança de comportamento seria o grande objetivo da reunião. Gouveia tem uma história de 300 anos, que está escorrendo pelo ralo. Gouveia tem a responsabilidade de registrar esta história, de divulgar, de cantar e contar esta história nos quatro cantos do município. Gouveia tem a responsabilidade de estimular, de fazer crescer no gouveiano, o interesse pela pesquisa histórica, pelo conhecimento e pela proteção do património histórico. O gouveiano tem que orgulhar-se de sua história e de sua terra. É aí que se quer chegar. Espera-se, será dado o passo inicial. Será reconhecida a importância da mudança de comportamento e a decisão de mudar.
Decidido o que falar, surgiu a questão: para quem falar?
Decidi falar com os professores. Afinal, são eles que têm contato com a juventude e têm condições e responsabilidade de introduzir mudanças. Mudanças têm mais chances de serem absorvidas pela juventude. Afinal, é de pequenino que se torce o pepino.
Decidi e agi:
Dos diretores das escolas estaduais, consegui a relação nominal de todos os professores. Da Secretaria Municipal de Educação, coordenadora das escolas municipais, consegui a relação nominal de diretores de escola, supervisores de ensino e professores. Às quase três centenas de nomes, acrescentei o nome de amigos, de intelectuais, enfim de pessoas que, a meu critério, poderiam estar interessados no assunto. Enviei, através dos diretores de escola, da Secretaria de Educação, do correio convencional convite personalizado a cada componente da lista.
Ainda uma grande dúvida: Como falar?
A mudança de comportamento não pode ser imposta; ela ocorrerá se houver o comprometimento, o interesse, a vontade de mudar da comunidade, mas não é possível discutir em reunião, com cerca de 200 pessoas – estimativa de presenças. Então, decidi convidar seis personalidades, gente que conhece Gouveia; gente que tem experiência, tem competência, tem capacidade de liderança comprovadas; gente, que ocupa posição de mando na administração pública ou em organizações da sociedade civil e que, por isso, tem liderança formal, assim, se envolve e envolve, também, o setor que comanda.
Convidei: Rosilene, vice-prefeito; Dione, Secretaria Municipal de Educação; Sueli, Secretaria Municipal de Cultura; Lourdes Hipólito, Diretora da Escola Estadual Aurélio Pires; José Moreira, presidente da Comissão Mineira de Folclore e Gil Martins, representante da Afago – time de intelectuais de primeira grandeza. Todos compareceram e falaram, exceto Rosilene, por questão de enfermidade na família, não pode comparecer.
Eu esperava, no final da reunião, dispor de arquivo de textos, contendo todos os pronunciamentos. Arquivo que seria distribuído a cada participante que se mostrasse interessado. De posse deste arquivo, que seria disponibilizado, repito, para qualquer gouveiano, que esteve presente ou, não, e ele poderia emitir sua opinião, sua crítica, suas sugestões. Finalmente, o material recolhido seria entregue a uma comissão, ainda não constituída, com a responsabilidade de elaborar o programa de trabalho, definindo objetivos, metas, ações, cronograma de desenvolvimento, responsabilidades e custos.
A solenidade, preparada pela diretora Lourdes Hipólito e sua equipe foi inigualável. O comparecimento de autoridades, diretores de escolas, professores, enfim a elite cultural de Gouveia. À frente o senhor prefeito municipal acompanhado da esposa a dra. Elga. Mas, nem tudo saiu conforme planejado. Não se discute a importância do registro dos pronunciamentos. Sempre há possibilidade de falas de improviso e eu cuidei de providenciar a gravação de todos os pronunciamentos, assim garantindo o registo de todos eles. Contratei profissional para fazer a gravação. Ele não compareceu e não me avisou. Em consequência desta atitude irresponsável ficamos sem os registros de todos eles. Consegui cópias de pronunciamentos de José oreira de Souza, de Gil Martins de Oliveira e o meu próprio. Deles, fiz cópias que encaminhei a uma centena de pessoas que me informaram seu endereço para correio eletrônico. Confesso que esperava mais comentários e críticas. Todavia, me contentei com o que recebi, sempre de aplausos e de estimulo.
Recebi mensagens, dentre elas, de Helder Moraes Pinto com o teor seguinte: “Caro Prof. Raimundo Chaves, estive no lançamento de seu livro no dia 6-5-2017 na Escola E. Aurélio Pires e notei a chamada "provocação" feita aos que estavam presentes - qual seja: é preciso dar a memórias histórica da cidade de Gouveia um tratamento didático, elegante e fundamentado; algo semelhante ao que o Sr. realizou em seu livro. Valiosa provocação! Diante disso o pergunto: quanto tempo o livro demorou para ficar pronto? Qual teria sido (em valor aprox.) o custo da pesquisa? E, quantas pessoas, além do Sr., trabalharam na gestação da obra? Att”
Respondi:
Trabalhei sozinho. Não sei precisar quanto tempo gastei. Ao longo dos anos, desde 2006, sempre atento ao Camilinho, lendo e aprendendo coisas sobre a história do povoado, escrevendo artigos sobre personagens, sobre ocorrencias do lugar e arredores que, mais tarde, foram aproveitados no livro.
Custos é difícil estimar. Professor Moreira, na condição de presidente da Comissão Mineira de Folclore, muitas vezes, estima o valor de livros lançados por associados da entidade e mais consultorias, pareceres e curadorias. Ele estima o tempo e o valor do salário, mas faz isto com o objetivo de mostrar aos órgãos de cultura do estado o valor da contribuição da Comissão que preside.
Ninguém se dispõe a escrever e editar a História de Gouveia, sem subsidio. O mercado é muito pequeno, o número de cópias que será vendido não reembolsa valor equivalente aos custos {...}. Considerando que as livrarias cobram até 40% do valor de venda do livro. O contrato com a livraria é pelo sistema de Consignação, isto é, livros não vendidos são devolvidos. Se este raciocínio é válido para Gouveia, muito pior para Camilinho. Desde o início estive consciente que não escreveria um livro pensando em reembolso. Faço questão de não receber por uma cópia. Doei 50 copias para a Comissão Mineira de Folclore, quase todos vendidos, por ocasião do lançamento em Belo Horizonte; presenteei muitos amigos, parentes e pessoas referenciadas no livro; doei para a Capela N.S. das Dores de Camilinho, quantas cópias a capela conseguir vender. {...}
Lançando o livro, de minha autoria, em dependência do antigo Grupo Escolar Aurélio Pires – referência e ícone da educação e da cultura em Gouveia - dependência adaptada para a solenidade porque não havia uma sala, bastante grande, para acomodar quase duas centenas de convidados. Convidados que representam a elite cultural de Gouveia. Dita dependência transformou-se em ambiente decorado até com flores naturais.
Quem cuidou de adaptar o ambiente? Eu as encontrei suadas, com a mão na massa: professora Maísa Dória (ex-Secretária Municipal de Educação), professora Adriana Oliveira (ex-Diretora da Escola Municipal João Baiano). Quem estava recortando as letras para compor o meu nome, no grande painel na parede principal do salão? Professora Lourdes Hipólito (diretora da Escola Estadual Aurélio Pires), professora Rosinete (vice-diretora da mesma escola) e mais duas outras professoras.
Quem participou da reunião, de forma ativa fazendo pronunciamentos: professora Lourdes Hipólito (Diretora da Escola Estadual Aurélio Pires), professor Gil (representante da Afago – vindo de Mateus Leme), professor Moreira (presidente da Comissão Mineira de Folclore e 1º vice-presidente da Comissão Nacional de Folclore), professora Sueli (Secretária Municipal de Cultura), professora Dione (Secretária Municipal de Educação), Senhor Antônio Vicente – Toninho (Prefeito Municipal de Gouveia).
Referência à atenção e ao respeito com que quase duas centenas de pessoas me ouviram. Dentre os convidados, gente de Mateus Leme, de Belo Horizonte, de Curvelo e da outra banda do Rio Paraúna. Precisa mais?!
Das despesas com o livro Camilinho: escola de vida, eu me considero perfeitamente reembolsado e muito agradecido com a receptividade que gouveianos têm demonstrado.
Continuo buscando informações sobre Gouveia. Fiz solicitação de cópias de todas as atas da Câmara Municipal. Estou consciente que ali está registrada a história recente de Gouveia. Registro a atenção com que me recebeu o senhor presidente Jacy e sua promessa de atender a meu pedido. Paralelamente, mostrei meu interesse em providenciar cópia eletrônica do Livro do Tombo – existente nos arquivos da paróquia -, mas não consegui autorização do senhor vigário.

Registros da solenidade celebrada em Gouveia, em 6 de maio de 2017, inclusive os pronunciamentos, estão acessíveis no site www.afagouveia.org.br
Veja os pronunciamentos de:
Gil Martins
José Moreira
Raimundo Nonato