Homenagem a Manoel Miranda

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Raimundo Nonato de Miranda Chaves


Vinte e seis p.p., fomos a Jequitibá, no Caminho dos Currais do Rio das Velhas. Estrada Real do Sertão, para aplaudir a realização de dois eventos: cinqüentenário de fundação da Cooperativa Regional Agropecuária de Jequitibá – CRAJ e reinauguração do edifício sede da cooperativa, agora, trazendo o nome de Doutor Manoel Luiz F. de Miranda; ilustre Camilinhense, ali, conhecido como Doutor Manoel Miranda.
Manoel Luiz, em companhia de Zélia, teve a gentileza de nos levar: professor José Moreira e este comentarista, ao seu sitio – Nossa Casa –, município de Matozinhos. Passeamos pelo sitio e saboreamos o delicioso refogado de mamão com costelinha de porco, e, frango caipira ensopado. Após: almoço, cerveja e rápida madorra continuamos nossa viagem.
Em Jequitibá, à noitinha, iniciou-se a celebração dos eventos programados, em solenidade coordenada pela primeira dama senhora Auromar Jare, atuando como mestre de cerimônia, compôs a mesa: Presidente da CRAJ Doutor Auromar Jare Amador dos Santos, Vice Presidente da CCPR-Itambé doutor Carlos Amorin representando o Presidente do Conselho de Administração, Doutor Jaques Gontijo, e, naturalmente, o homenageado Doutor Manoel Miranda.
De pé todos cantaram o Hino Nacional Brasileiro e depois discursaram, pela ordem: Doutor Auromar, senhora Mônica Mascarenhas – Conselheira da CRAJ e Presidente do Sindicado Rural e, finalmente, Doutor Manoel Miranda, cujo discurso está disponível ao final destes comentários. Em seguida Zélia Miranda descerrou a placa simbólica: registro das homenagens e, todos nós seguimos para o Recinto de Leilões onde fomos recebidos na boa forma mineira ruralista, com torresmos, mandioca frita, reforço de feijão tropeiro e vaca atolada; tudo, regado a cerveja geladinha distribuída com fartura, alem da famosa Cachaça Poções. Dali ao hotel era um quarteirão, porque se preocupar com a Lei Seca, se podíamos voltar caminhando?
Manoel Luiz, conhecido e admirado naquele ambiente, recebeu muitos abraços e compôs uma mesa, na verdade duas grandes mesas de formato circular, à sua direita os Mirandas – a comitiva que veio de Belo Horizonte e de Sete Lagoas para prestigia-lo; à sua esquerda representantes da aristocracia jequitibaense: Conselheira do CRAJ, Mônica Mascarenhas acompanhada da senhora sua mãe e de Arthur, o consorte; Doutor Arthur Souto Maior Filzola, com a esposa. Professor José Moreira e este comentarista completaram o circulo.
Doutor Souto Maior, com simpatia, supervisionava a distribuição da Cachaça Poções, 50.000 litros/safra, produzida em sua propriedade: Fazenda dos Poções. Paralelamente, convidava para grande leilão que fará realizar, dia 03 de agosto, na Fazenda Poções, com 300 fêmeas girolando registradas, bezerros e tourinhos gir leiteiro. A Fazenda Poções, fui informado, rivaliza em beleza e instalações com o Rancho de JR do seriado televisivo Dallas. grande produtora de leite, cerca de 3.000 litros/dia, e cuida, também, com esmero do melhoramento genético da raça gir leiteiro; com diversos touros raçadores, que fazem dela produtora de sêmen e fornecedora aos bancos de sêmen. Veja em www.fazendadospocoes.com.br. Produção de carne é outro departamento: Fazenda São Miguel em Buritizeiro, norte do Estado, com cerca de 4.500 hectares. Este é o braço agropecuário de Doutor Souto Maior que se envolve, também, com construção pesada.
Agora a surpresa: Quando falei ao Doutor Souto Maior que todos aqueles Mirandas, eu inclusive, éramos naturais de Gouveia, ele, me respondeu:
-- eu nasci lá, na fábrica.
Fico aqui sonhando com a possibilidade de convencer gouveianos desgarrados, ricos e com espírito empreendedor a investir no município de Gouveia, como vem fazendo, por exemplo, Sebastião Antônio dos Santos, conhecido Tião de Neco, com a Fazenda Três Rios e o Rancho Redenção. Continuo acreditando que o desenvolvimento de Gouveia depende dos Gouveianos.
Dia seguinte, sábado, Manoel Luiz e Zélia mostraram a cidade ao Moreira e a mim, em seguida percorremos as instalações da CRAJ. Manoel conhecia e cumprimentava a todos: funcionários e cooperados e nos explicava detalhes das instalações, com orgulho de quem era responsável por grande parte de tudo aquilo, Anotamos: grande depósito de rações e supermercado no primeiro piso; no segundo, instalações para a administração, inclusive auditório e, salas cedidas ao Sindicado Rural. Atrás do prédio instalações para leilões de bovinos – recinto de leilões. Gostei, especialmente, de ver, fixado nas paredes dos corredores: cuidados arranjos de fotos dos ex-presidentes da CRAJ e quadros com cópias de documentos, ata de fundação inclusive, e fotos de eventos importantes. Ali está registrada a história da Cooperativa. Antes de deixar Jequitibá, devo relembrar: Jequitibá foi importante porto fluvial à época da navegação no Rio das Velhas. A Estrada de Ferro Central do Brasil – trajeto original –, deveria acompanhar o Rio das Velhas, mas foi desviado por influencia de Sete Lagoas. A Estrada de Ferro Vitória Minas que deveria ir até Diamantina – traçado original –, foi desviada na altura de Governador Valadares por influencia dos ingleses de Itabira. Diamantina, ainda teve a compensação: Ramal Corinto/Diamantina. A vida é assim: todos somos iguais, mas uns são mais iguais do que outros.
Depois de Jequitibá, nos rumamos para o sitio de Valdir – o caçula da casa de Manoel –, engenheiro florestal por Viçosa, residente em Sete Lagoas, No sitio, Valdir extrapolou, ampla residência – uma suíte para cada filho, com varandão em duas laterais onde passamos momentos agradáveis de boa conversa, saborosos aperitivos, inclusive jiló com isca de carne suina, ao som de músicas antigas selecionadas pelo DJ José Luiz, também, da comitiva dos Miranda. Para completar só o Black Label à minha frente.
Depois do almoço, alguns, curtiram uma madorra, e, à tardinha, pé na estrada. Como dizia Vicente Tavares, filosofo de Camilinho:
--Você quer chorar? Chora! Eu vou embora.

Palavras de Doutor Manoel Miranda pronunciadas na solenidade do dia 26/07/2013

Referencia às as autoridades presentes, cooperados, administradores, colaboradores, senhoras e senhores.
Quero fazer uma retrospectiva de nossa história com a cooperativa, culminando com a construção deste edifício sede e nossa convivência com a mesma, com os cooperados e com a comunidade. No período de fevereiro de 1990 a março de 2002, quando deixamos a presidência.
Ao adquirir uma propriedade rural neste município no ano de 1989 e ter iniciado meu contato com a cooperativa, constatando as necessidades desta, e, verificando que poderia ser útil ao seu desenvolvimento, aceitei o convite de nosso saudoso presidente Cinézio Dias Barbosa para participar com ele na administração, como diretor no período de fevereiro/1990 a março/1993.
pós o termino do primeiro mandato como diretor, já em 1993, sendo Cinézio candidato a prefeito, indicou a minha pessoa para o cargo de presidente, iniciando ai minha jornada e minha responsabilidade maior com os destinos da cooperativa. Levantei suas prioridades e verifiquei que o maior desafio seria aglutinar todos os produtores do município em torno dela, com objetivo maior: “ o seu desenvolvimento”.
Depois de várias visitas a produtores e mostrando que nossa administração seria apolítica e sim administrativa, conseguimos o retorno destes e de vários outros de municípios vizinhos que entregavam suas produções para outras cooperativas ou laticínios. Com isso conseguimos dobrar o volume de leite recebido e das vendas do armazém.
Outra tarefa, e ai nos orientávamos pelo que determina o estatuto, foi implantar uma convivência social e harmoniosa dos produtores em torno da cooperativa para isto implantamos os torneios leiteiros, que se tornaram grandes eventos do município com uma festa no final para entrega dos prêmios aos vencedores e criamos, também, campeonatos de truco para os colaboradores das fazendas. Com tudo isto o movimento da cooperativa aumentou tanto que nosso espaço físico ficou pequeno para atender aos cooperados do município e de outros que a nós se juntaram. Foi quando nos vimos na obrigação de construir uma nova sede a altura da cooperativa, dos cooperados, e do município, que estavam ávidos por um supermercado; como já se mostrava solução comercial de outros centros.
Iniciamos assim em 1996, com a cara e coragem, a construção de nossa sede e do supermercado, o primeiro da cidade de jequitibá. Não me esqueço do espanto dos transeuntes, quando deparavam com carretas de concreto usinado, que vinham de Sete Lagoas para encherem os tubulões da construção. Não posso esquecer do apoio e colaboração efetiva dos dois diretores que comigo estiveram durante todo este período o Senhor Edson Antonio da Silva e o Doutor Eduardo Rossi Zanforlin.
Nossos agradecimentos a duas pessoas que muito nos ajudaram, quando nos víamos apertados financeiramente, e na iminência de paralisar a obra que foi o Doutor Souto Maior Filizola, pela ajuda fundamental na construção da laje da obra, que nos deu grande alivio. A outra pessoa e com nosso muito especial agradecimento em nome da cooperativa e de todos os cooperados é com nosso saudoso amigo e ex presidente da Itambé Doutor José Pereira Campos Filho, que faleceu recentemente, pelo apoio a nós dispensado e a quem recorríamos nas horas de necessidades. E que, aqui, nos honrou com sua presença no dia da inauguração desta casa em 11.09.1998. Finalizando, por tudo isto: nossos agradecimentos a Itambé pela honrosa presença do presidente do Conselho de Administração Doutor Jaques Gontijo, aqui representado pelo vice presidente Doutor Carlos Amorim. Aos diretores que comigo somaram esforços para construção desta casa. Aos colaboradores na pessoa do senhor Gerente e amigo Sergio Sader Dias – salientando que tudo foi possível pelo trabalho em equipe e pela harmonia e convivência de todos. E apoio dos cooperados. Finalmente agradecimento muito especial em meu nome e de meus familiares ao Senhor Presidente atual da cooperativa Doutor Auromar Jare Amador dos Santos pela honrosa homenagem a minha pessoa, em reinaugurar o prédio desta casa com meu nome, porque me fez sentir realizado e gratificado em ter sido útil aos cooperados e a comunidade.
O meu muito obrigado.

Manoel Luiz Ferreira de Miranda.
26.07.2013

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