Fim de Semana com a Familia Moreira de Souza


Comentários de
Raimundo Nonato de Miranda Chaves

Sábado, 26 de outubro, Moreira me liga:
-- as jabuticabas estão no ponto. Passo, mais tarde, para levá-lo.
-- estarei pronto, ligue-me quando sair de casa.
No entorno das quatorze horas Moreira liga, novamente:
-- estou a poucos minutos de sua casa. Voltaremos amanhã. Tem problemas?
-- droga! Por que amanhã? Eu pensava ficar por lá até o Natal.
Assim começou o fim de semana com a família Moreira de Sousa, lá na Chácara de Pinhões. Viagem agradável e instrutiva, com Moreira falando sobre cada localidade: história, características, situação atual. Na Chácara de Pinhões não me fiz de rogado, ataquei cada jabuticabeira que encontrei, e, havia muitas delas. Sugiro que você observe jabuticabeira fotografada no sábado e no domingo.
Durante a tarde de sábado Moreira e eu percorremos, demoradamente, a chácara: mangueiras centenárias, diversas variedades, mas todas carregadas de frutas; bananeiras, figueiras, pessegueiros, parreiras, umas com frutas ainda pequenas, outras já maturando. Jabuticabeira, variedade torta, com frutos para amadurecer em novembro. A chácara não tem apenas árvores frutíferas, veja, nas fotos, a imensa área produtora de grãos toda plantada de milho. A estimativa de produção brasileira de grãos, na próxima safra, deverá ser incrementada quando for considerada a produção de milho de Pinhões.
Voltando do passeio pela chácara, Moreira e eu fomos recebidos por Adélia, naquela copa cozinha ampla e aberta, de onde se vê toda a chácara e parte de residências da povoação. Cerveja geladinha, mas Moreira, nem precisou insistir, com o Green Label e um copo me serviu. Você está certo! É aquele 15 anos da Jonnhie Walker! O rotulo: “green” me fez lembrar do Green Peace e aquela ativista gaúcha que, tanto tem de bonita como de idiota, com tanta coisa para protestar, aqui, vai se meter em encrenca lá no Mar do Norte. E, pior, levando autoridades e povo brasileiros a se indignarem com autoridades russas que a trancafiaram. Enquanto isto, o jornal televisivo mg tv mostra a miséria nas periferias de Belo Horizonte, Contagem, Betim, Santa Luzia e outras cidades da região metropolitana e, ninguém se toca. A Globo fez parceria com jovens das favelas e aglomerados e eles têm gerado excelente matéria sobre a situação e a forma de vida nas comunidades da periferia. Autoridades governamentais continuam alardeando que acabaram com a miséria.
Em Pinhões a situação é diferente: cerveja, whisky e costelinha de suíno, mais a conversa agradável de Moreira e a promessa de Adélia: a canjiquinha com costela suína está quase pronta. No sábado, Adélia optou por servir à mineira, no domingo, ela mostrará sua habilidade com comida árabe. Na manhã de domingo, saímos para conhecer a vila. Casa paroquial antiga tombada pelo patrimônio histórico, casa paroquial nova, muito ampla, escola e salão social nos terrenos da igreja. Igreja reformada. Moças bonitas, população, quase toda morena, resultante da miscigenação, mesmo assim autoridades insistem que ali é comunidade quilombola. Moreira explica e justifica tudo, mas ele tinha a incumbência de trazer frango para o almoço que seria servido, ensopado, com charutos de repolho. O criador de frangos tentava cruzar aves canoras, dois gêneros diferentes: pintassilgo com canária belga. É um belo cruzamento e dele resulta o pintagol, ave forte com belo canto, hibrido de gêneros distintos, portanto, estéril. Atualmente, muito difícil de encontrar devido à proibição de criatórios de aves nativas.
Moreira está totalmente incorporado à comunidade, cumprimenta e conhece a todos, participa de festividades e comemorações. Alem da chácara de Moreira existem outras, e os estrangeiros têm comportamentos diferentes, os que se isolam pagam um preço por isso: depredação e roubo. Os que se incorporam recebem tratamento diferente.
Nicia e Dáfnis, filhos do casal Moreira, mais os netos, almoçamos juntos reunidos em ambiente alegre e descontraído. Mais tarde os netos nadaram e, para festejar o encontro, jogaram a avo Adélia, com roupa e tudo, dentro da piscina.
Depois da última visita às jabuticabeiras juntamos as trouxas e partimos para BH, no final do domingo.