Trilha Verde da Maria Fumaça - Projeto

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1. APRESENTAÇÃO:

O projeto Trilha Verde da Maria Fumaça nasce de um grande desafio: criar uma rede de preservação e integridade das comunidades situadas no entorno do antigo ramal ferroviário Diamantina/Corinto, agregando valor às realidades locais aportadas por novas possibilidades de desenvolvimento econômico através do turismo.

Para tanto, o Projeto visa transformar o antigo ramal ferroviário Diamantina – Corinto, desativado na década de 70, em uma via de turismo não motorizado.

A presente proposta expõe potencialidades para promoção socioeconômica da região através do turismo, uma vez que seu público alvo: cavaleiros, caminhantes e ciclistas, demandarão das comunidades locais produtos e serviços, além da preservação arquitetônica, cultural, ambiental e da história local.

O percurso total terá aproximadamente 150 quilômetros, cortando os municípios de Diamantina, Gouveia, Monjolos, Santo Hipólito, Curvelo e Corinto, localizados na região do Circuito Turístico dos Diamantes e do Circuito Turístico Guimarães Rosa.

Numa primeira etapa pretendemos implantar o projeto no percurso Diamantina a Monjolos, por estarem mais preservados e com pouca intervenção de estradas de rodagem.

O projeto terá sua abrangência nas seguintes cidades:

Município Km2 Habitantes Habitantes p/ km2
DIAMANTINA 3.880 44.259 11,4
GOUVEIA 877,8 11.457 13,3
MONJOLOS 655,5 2.579 3,9
SANTO HIPÓLITO 432,9 3.488 8,1
CURVELO 3289 67.512 20,5
CORINTO 2.522,9 20.096 9,7

Sedes e distritos por onde passa o ramal ferroviário:

Sede – Distrito – Localidade Município
Diamantina DIAMANTINA
Bandeirinhas DIAMANTINA
Barão de Guaicui GOUVEIA
Quartéis (Mendes) DIAMANTINA
Conselheiro Mata DIAMANTINA
Rodeador MONJOLOS
Monjolos MONJOLOS
Santo Hipólito SANTO HIPÓLITO
Roça do Brejo CURVELO
Corinto CORINTO

Mapa do trecho Ferroviário Corinto - Diamantina:

2. INTRODUÇÃO:

A referida região protagonizou acontecimentos significativos na história ferroviária de Minas Gerais e do Brasil. Atualmente conta com cerca de 150.000 habitantes distribuídas em áreas pertencentes à bacia do Rio São Francisco e à bacia do Rio Jequitinhonha, envolvendo os municípios de Diamantina, Gouveia, Monjolos, Santo Hipólito, Curvelo e Corinto.

As localidades, distritos e municípios a serem envolvidos neste esforço cooperativo têm historicidades que as aglutinam em torno de raízes comuns como: a lembrança da passagem do trem, ser uma variante da estrada real, estar na Reserva da Biosfera Serra do Espinhaço, pertencer ao Circuito dos Diamantes e Circuito Guimarães Rosa.

Atualmente as comunidades também compartilham um quadro desagregador que causa enorme impacto negativo à esfera ambiental e cultural, como:

  1. Aculturamento pela atual desestabilização social e financeira das comunidades rurais;
  2. Eliminação da rota comercial regional consolidada através da ferrovia;
  3. Descaso das entidades de assistência social municipais, estaduais e federais;
  4. O êxodo rural gerado pela baixa oferta de empregos e renda;
  5. Escassez de lazer e recreação nas comunidades rurais trabalhadas;
  6. Pressão antrópica negativa sobre fauna, flora e águas. Queimadas, tráfico de animais silvestres, pesca predatória, exploração mineral insustentável, coleta da flora sem manejo.

Para assegurar o êxito no processo de estruturação da Trilha Verde da Maria Fumaça, estas lacunas devem ser preenchidas com diretrizes de inclusão social e sustentabilidade, tanto no que se refere à interface de conservação e gestão dos recursos naturais, quanto ao beneficiamento prioritário das comunidades locais, valendo-se de metodologias participativas.

Sendo assim, será a partir da identificação e potencialização dos atrativos e o envolvimento das comunidades do entorno da Trilha é que irão se iniciar as ações de estruturação e promoção deste novo produto turístico.

3. JUSTIFICATIVA:

Um dos objetivos do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, como também da Secretaria de Estado de Turismo, é diversificar a oferta de produtos turísticos, possibilitando o aumento do fluxo e da permanência dos visitantes nos destinos.

Seguindo este princípio, a proposta de consolidação da Trilha Verde da Maria Fumaça será um produto para diversificar o cardápio de atividades ofertadas nos destinos dos Circuitos Turísticos dos Diamantes e Guimarães Rosa, estimulando a permanência do visitante e captando público no mercado nacional e internacional adepto desse tipo de segmento turístico.

Além disso, a Trilha Verde da Maria Fumaça será um passo fundamental na busca pelo desenvolvimento socioeconômico das regiões, pois sua correta implementação irá contribuir para o aumento do fluxo de turistas e, ao mesmo tempo, estimular a integração e o compromisso de todos os protagonistas desse processo, não deixando de desempenhar o papel de instrumento de inclusão social, resgate e preservação dos valores culturais e ambientais existentes.

4. OBJETIVO:

Estruturar, ordenar, qualificar e promover a Trilha Verde da Maria Fumaça, como produto turístico diferenciado de Minas Gerais.

Objetivos específicos:
4.1. Pesquisa preliminar e georeferenciamento da Trilha;

4.2. Diagnóstico Sócio Ambiental;

4.3. Recuperação e manutenção dos trechos com problemas de trafegabilidade;

4.4. Implantação de sinalização turística, interpretativa e indicativa, de todo o percurso da Trilha;

4.5. Tombamento das antigas estações ferroviárias de cada comunidade e criação de centros de referência ao turista com exposição de imagens, documentos, livros e objetos antigos com o intuito de preservar a história da Trilha;

4.6. Capacitar as comunidades locais para recepção e apoio aos turistas (condutores locais e receptivos familiares);

4.7. Criar Passaporte da Trilha. Documento que será adquirido pelo turista e será selado, com estampas referentes à trilha, nos centros de apoio ao turista localizados nas antigas estações ferroviárias de cada localidade por onde ele passar, servindo como registro de sua passagem pela trilha, além de promover a integração com a comunidade local;

4.8. Criar Certificado de Conclusão da Trilha, nos moldes dos documentos antigos da época do Brasil Colônia, especificamente os documentos do Distrito Diamantino;

4.9. Criação de mapa turístico da Trilha identificando os atrativos: estações, pontes, pontilhões, canais, cachoeiras, sítios arqueológicos, lagos, rios, etc.;

4.10. Criação de Guia Turístico com informações diversas sobre a Trilha: história, cultura, aspectos da vegetação, geologia, fauna e hidrologia, festas, hospitais, postos policiais, postos telefônicos, pontos de internet, pontos de abrangência de telefonia celular, pontos de hospedagem e alimentação...

4.11. Promoção e divulgação da Trilha Verde da Maria Fumaça através da confecção de material publicitário, site, folders, banners e realização de famtour com a participação das principais operadoras deste segmento;

4.12. Gestão e acompanhamento do projeto.

5. RESULTADO ESPERADOS:

5.1. Resgate e fortalecimento da identidade regional;

5.2. Aumento da visitação, da permanência e do gasto médio do turista;

5.3. Desfrute de experiências genuínas por parte dos turistas;

5.4. Estimular a criação de novos negócios e a expansão dos que já existentes;

5.5. Criação e ampliação de postos de trabalho;

5.6. Aumento e geração de renda e melhoria na sua distribuição;

5.7. Favorecimento da inclusão social e redução das desigualdades regionais e sociais;

5.8. Preservação ambiental no entorno da trilha;

5.9. Preservação patrimonial e histórica do ramal ferroviário.

6. PLANO DE AÇÕES:

Envolvimento de atores e elaboração da proposta conceitual;



6.2. Envolvimento da comunidade;

6.3. Levantamento histórico-cultural, identificação de possíveis impactos socioculturais, ambientais e econômicos, estudo de mapas e georeferenciamento, registro de banco de imagens dos atrativos e equipamentos turísticos locais;

6.4. Diagnóstico e analise de mercado;

6.5. Levantamento das ações necessárias para a formatação do roteiro turístico e articulação de parcerias;

6.6. Teste do roteiro turístico;

6.7. Qualificação dos serviços turísticos;

6.8. Promoção e comercialização;

6.9. Monitoria e avaliação.

7. PARCEIROS:

Abaixo citamos os parceiros que temos no momento e o apoio a que se propõem:


7.1. PROMOTORIA DIAMANTINA:
Parceira em informações técnicas e jurídicas e negociações de termos de ajustamentos de conduta entre prefeituras para manutenção das estações ferroviárias.

7.2. PREFEITURAS MUNICIPAIS: DIAMANTINA – GOUVEIA – MONJOLOS Parceiras na discussão do projeto e tombamento dos bens patrimoniais da trilha.

7.3. CIRCUITO TURÍSTICO DOS DIAMANTES: Apoio na formatação de roteiros e busca de aproximação com o mercado de operadoras a fim de facilitar a comercialização dos roteiros;

7.4. IEF-Instituto Estadual de Florestas – Regional Diamantina: Parceiro em ações de educação ambiental, fiscalização e proteção de nascentes;

7.5. SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – MG – REGIONAL JEQUITINHONHA: Parceira em informações técnicas e jurídicas ambientais, em campanhas de educação e fiscalizações ambientais;

7.6. EMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de MG: Parceira na formatação de cursos, assistência técnica rural, desenvolvimento do cooperativismo, turismo rural e estudos sobre extrativismo sustentável de frutas e sempre-vivas;

7.7. UFVJM-Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: Parceira nas discussões e propostas para o turismo sustentável.

7.8. COPASA – Companhia de Saneamento Básico de MG: Parceira em projetos de captação, tratamento de águas e recuperação e tratamento de esgotos nas comunidades da Trilha Verde da Maria Fumaça, além de promover palestras de educação ambiental.

7.9. SECTUR – Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio de Diamantina: Apoio técnico para desenvolvimento do turismo e tombamento de bens patrimoniais e culturais.

7.10. Grupo Ciclístico Amantes da Magrela (Curvelo-MG) e a ACC – Associação Curvelana de Ciclismo: Atuam em conjunto com a nossa entidade promovendo excursões ciclísticas na trilha foco do projeto.

7.11. ONG Grão Diversidade e Cidadania: Elaborou o inventário histórico, cultural e de bens e promoveu o tombamento do percurso do ramal ferroviário na região de Gouveia.

7.12. OPTA - Organização Turística e Ambiental Patrimonial: Tem participado promovendo informações sobre estruturação de Vias Verdes nos moldes implantados pela Espanha em antigos ramais ferroviário desativados.

7.13. Gemas da Terra (Diamantina - MG) Tem implementado Telecentros Comunitários nas comunidades de Rodeador e Conselheiro Mata.

7.14. ONG – Montanhas de Minas Tem participado promovendo informações sobre estruturação de trilhas.

7.15. Associação Ama Barão Participação nas atividades de discussão e implantação do projeto na comunidade de Barão de Guaicui na cidade de Gouveia.

7.16. Associação Atafam Monjolos Participação nas atividades de discussão e implantação do projeto nas comunidades de Monjolos e Rodeador.

7.17. ONG Caminhos da Serra Ambiente, Educação e Cidadania

Iniciou as propostas do projeto com a expedição em 2000, fortaleceu o processo com a expedição em 2005 e junto com o Circuito dos Diamantes e demais parceiros vem articulando esforços para implantação da trilha.

Gouveia. - Agosto 2010.
Alex Mendes Santos
Grupo Gestão Trilha Verde da Maria Fumaça